top of page

O Homem Mais Perverso do Mundo? A Verdadeira História de Aleister Crowley

  • Foto do escritor: Aurio marden Lima carvalho
    Aurio marden Lima carvalho
  • 16 de mai.
  • 5 min de leitura
Aleister Crowley
Aleister Crowley

Nenhum nome no ocultismo ocidental evoca tanto mistério, fascínio e repulsa quanto o de Aleister Crowley. Apelidado pela imprensa de sua época como "o homem mais perverso do mundo" e autointitulado "A Grande Besta 666", Crowley cruzou as fronteiras da moralidade vitoriana para se tornar o mago mais influente do século XX.

Mas quem foi ele de verdade? Um gênio incompreendido, um libertino egoísta ou um profeta de uma nova era? Neste artigo, desvendamos a vida, a filosofia, os excessos e o legado do homem que moldou o esoterismo moderno.

Quem Foi Aleister Crowley?

Nascido Edward Alexander Crowley em 12 de outubro de 1875, em Warwickshire, Inglaterra, ele foi um polímata: poeta, romancista, alpinista de elite, enxadrista mestre e, acima de tudo, um ocultista e cerimonialista.

Crowley dedicou sua vida a mapear a consciência humana através do misticismo, fundando a filosofia da Thelema e influenciando profundamente as ordens secretas ocidentais.

Origem e Família: A Revolta Contra a Religião

Para entender a rebeldia de Crowley, é preciso olhar para a sua infância. Ele nasceu em uma família aristocrática e extremamente rica. Seus pais eram membros dos Irmãos de Plymouth, uma seita cristã ultra-austera.

  • O Pai: Edward Crowley, um pregador evangélico e dono de uma próspera cervejaria familiar, de quem Crowley herdou uma fortuna massiva ainda jovem.

  • A Mãe: Emily Bertha Bishop. A relação entre os dois era terrível; foi ela quem primeiro o chamou de "A Besta", um título que o jovem Crowley adotou com orgulho como símbolo de rebeldia contra a opressão religiosa da mãe.

Crowley casou-se duas vezes (com Rose Edith Kelly e, mais tarde, com Maria Teresa Ferrari de Miramar) e teve filhos, mas suas dinâmicas familiares foram frequentemente trágicas, marcadas por perdas e pelo seu desapego às convenções domésticas tradicionais.

Formação Acadêmica: A Mente Brilhante de Cambridge

Apesar da fama de caótico, Crowley possuía um intelecto brilhante. Ele frequentou o prestigiado Trinity College, na Universidade de Cambridge, entre 1895 e 1898.

Embora não tenha concluído formalmente o curso (ele preferiu abandonar a faculdade pouco antes dos exames finais para se dedicar inteiramente à poesia e ao misticismo), sua passagem por Cambridge refinou sua escrita, sua erudição em línguas clássicas e seu amor pela filosofia. Foi nessa época que ele mudou seu nome para Aleister, buscando uma sonoridade mais poética e marcante.

O Estilo de Vida: Hedonismo, Alpinismo e Viagens

O estilo de vida de Crowley era extravagante, performático e muito à frente de seu tempo (ou totalmente fora dele).

  • O Alpinista: Longe dos altares de magia, Crowley foi um dos maiores alpinistas de sua geração. Ele liderou expedições pioneiras e perigosas ao K2 e ao Kangchenjunga, quebrando recordes de altitude na época.

  • A Busca pelo Transe: Ele viajou o mundo — do Egito ao México, da Índia aos Estados Unidos — estudando o Yoga, o Budismo e o misticismo oriental, misturando essas práticas com a magia cerimonial ocidental.

  • Bens e Fortuna: Quando jovem, Crowley era multimilionário em valores da época. No entanto, sua fortuna foi inteiramente consumida pelo financiamento de suas próprias publicações de luxo, viagens constantes, rituais caros e o sustento de suas comunidades espirituais. Ele morreu na pobreza absoluta, dependendo da ajuda de discípulos.

O que Ele Fez e Por que Fez?

A grande virada na vida de Crowley ocorreu em 1904, no Cairo (Egito). Segundo seus relatos, uma entidade espiritual chamada Aiwass (o mensageiro de Hórus) canalizou através dele um texto sagrado: O Livro da Lei (Liber AL vel Legis).

Este livro tornou-se a base da Thelema, a filosofia espiritual criada por Crowley.

O Porquê: Crowley acreditava que a humanidade havia entrado em uma nova era espiritual, o Éon de Hórus. Nesse novo tempo, as antigas religiões baseadas na culpa e no sacrifício (como o Cristianismo e o Islamismo) perderiam a força. O ser humano precisava se libertar para encontrar sua Veradeira Vontade — o propósito cósmico individual.

A máxima thelemita resume sua visão:

"Faz o que tu queres, há de ser tudo da lei." (Nota: para Crowley, isso não significava "faça o que quiser de forma irresponsável", mas sim descubra o seu verdadeiro propósito e siga-o de forma implacável).

As Principais Contribuições ("Benfeitorias") para a Humanidade

Embora a palavra "benfeitoria" seja contestada por seus críticos, o impacto cultural e filosófico de Crowley no mundo moderno é inegável:

  • Sistematização do Ocultismo: Ele limpou o esoterismo de grande parte do moralismo medieval, unindo a ciência (o método experimental) com o misticismo. Seu lema era: "O método da ciência, o objetivo da religião".

  • Ponte entre Oriente e Ocidente: Crowley foi um dos primeiros ocidentais a praticar, traduzir e popularizar o Yoga, o Tarô (criando o famoso Livro de Thoth) e o I Ching na Europa.

  • Influência na Cultura Pop: Sem Crowley, o Rock and Roll não seria o mesmo. Ele foi homenageado pelos Beatles (na capa do álbum Sgt. Pepper's), por Led Zeppelin (Jimmy Page comprou a antiga mansão de Crowley na Escócia), David Bowie, Ozzy Osbourne (na clássica música Mr. Crowley) e Raul Seixas no Brasil (com a Sociedade Alternativa).

As Principais Polêmicas ("Malfeitorias") e Excessos

O caminho da "Besta" foi pavimentado por escândalos que chocaram o mundo e destruíram vidas ao seu redor:

  • A Abadia de Thelema: Na década de 1920, Crowley fundou uma comuna mística na Sicília, Itália. O local virou alvo dos tabloides devido a relatos de orgias regadas a drogas, rituais de magia sexual e falta de higiene. O governo fascista de Mussolini acabou expulsando Crowley do país após a morte trágica de um de seus discípulos (Raoul Loveday) no local.

  • Abuso de Substâncias: Crowley experimentou e abusou de ópio, cocaína e, mais tarde, heroína (que lhe foi inicialmente receitada para asma). Seu vício destruiu sua saúde física, mental e suas finanças.

  • Manipulação Psicológica: Muitos dos que se aproximaram de Crowley terminaram falidos, loucos ou cometendo suicídio. Embora ele não os forçasse diretamente a isso, o magnetismo de sua personalidade e a intensidade de suas práticas mágicas e sexuais eram devastadores para mentes instáveis.

O Fim do Véu

Aleister Crowley faleceu em 1º de dezembro de 1947, aos 72 anos, em uma pensão decadente em Hastings, Inglaterra, vítima de uma infecção respiratória agravada pelo vício em heroína. Suas últimas palavras relatadas foram: "Estou perplexo".

Ele não viveu para ver o impacto de sua obra. Décadas após sua morte, a contracultura dos anos 1960 e a revolução sexual adotaram muitos de seus conceitos de liberdade individual. Amado por uns como um libertador espiritual e odiado por outros como a personificação do mal, Crowley alcançou seu maior objetivo: tornou-se imortal na história do ocultismo global.

Gostou deste perfil? O que você acha que prevalece na história de Crowley: a genialidade oculta ou os excessos autodestrutivos? Deixe seu comentário abaixo e compartilhe este artigo nas suas redes sociais!


 
 
 

Comentários


bottom of page